📉 Correios à Beira do Colapso? A Verdade Sobre a Dívida Bilionária que Atravessou Governos
A crise financeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos não nasceu ontem — e tampouco pode ser atribuída a apenas um governo. O rombo bilionário que hoje pressiona a estatal é resultado de uma sucessão de decisões políticas, falhas estruturais e mudanças profundas no mercado postal ao longo das últimas décadas.
Este artigo apresenta um panorama dos governos do PT, de Michel Temer e de Jair Bolsonaro, e explica por que a dívida aumentou tanto, por que não foi quitada e como funciona a amortização atual.
📊 A Origem do Problema: Prejuízos e Passivos no Período do PT
Durante os governos de Dilma Rousseff e posteriormente no novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, os Correios enfrentaram anos consecutivos de prejuízos, especialmente entre 2015 e 2016.
Os fatores principais foram:
- Queda na demanda por serviços postais tradicionais;
- Crescimento da concorrência privada no setor logístico;
- Custos trabalhistas elevados;
- Aumento de provisões judiciais;
- Modelo de gestão pouco adaptado à revolução do comércio eletrônico.
Os prejuízos acumulados nesse período corroeram reservas financeiras da empresa e ampliaram seus passivos.
🔄 Governo Michel Temer: Ajuste e Lucro Temporário
Durante o governo de Michel Temer, houve uma reversão momentânea do quadro.
A estatal registrou lucros em 2017 e 2018, resultado de:
- Corte de despesas;
- Reorganização administrativa;
- Redução de custos operacionais.
Entretanto, o lucro não foi suficiente para eliminar os passivos acumulados nos anos anteriores. O problema estrutural permaneceu latente.
📦 Governo Bolsonaro: Lucro na Pandemia e Novo Prejuízo
No governo de Jair Bolsonaro, os Correios apresentaram resultados positivos entre 2019 e 2021, impulsionados pelo aumento das encomendas durante a pandemia.
Contudo, em 2022, a empresa voltou a registrar prejuízo significativo.
As razões incluem:
- Queda no fluxo internacional de encomendas;
- Pressão competitiva crescente;
- Rigidez estrutural de custos;
- Reconhecimento de passivos trabalhistas e judiciais;
- Despesas obrigatórias com a universalização do serviço postal.
💰 Afinal, Qual é a Dívida?
É importante esclarecer: os Correios não possuem apenas uma “dívida bancária simples”, como uma empresa privada tradicional. O que existe é um conjunto de passivos que inclui:
- Déficits operacionais acumulados;
- Provisões trabalhistas bilionárias;
- Obrigações judiciais;
- Empréstimos contratados com garantia da União.
Nos últimos anos, a empresa negociou empréstimos bilionários com prazos longos (até 2040), com garantia do Tesouro Nacional.
📉 Por Que Bolsonaro Não Pagou a Dívida?
A resposta é técnica: porque não havia superávit suficiente para quitar passivos acumulados de anos anteriores.
Mesmo com lucros em parte do período, esses valores foram insuficientes para:
- Cobrir integralmente prejuízos passados;
- Amortizar passivos trabalhistas;
- Quitar dívidas bancárias estruturais;
- Investir na modernização necessária.
Além disso, não houve um grande aporte direto do Tesouro para liquidar os passivos históricos.
📆 Como Funciona a Amortização?
Hoje, a amortização ocorre principalmente sobre empréstimos contratados.
Em termos práticos:
- Parte da receita anual é destinada ao pagamento de juros e parcelas;
- O cronograma varia conforme os contratos bancários;
- Como muitos passivos são judiciais ou provisionados, não existe uma “parcela fixa mensal única” divulgada publicamente.
A empresa, portanto, enfrenta um ciclo difícil: receita pressionada, despesas rígidas e necessidade de pagamento de obrigações passadas.
⚠️ O Problema Real
A crise dos Correios não é apenas contábil — é estrutural.
O modelo de empresa pública com obrigação de universalização, somado à concorrência privada nos trechos mais lucrativos, cria um desequilíbrio natural. Enquanto empresas privadas escolhem onde operar com lucro, os Correios são obrigados a atender todo o território nacional, inclusive áreas deficitárias.
Sem reforma profunda, capitalização consistente ou redefinição do modelo de negócio, a tendência é de pressão crescente sobre as contas públicas.
📌 Conclusão
A dívida dos Correios atravessou governos.
- Cresceu nos anos de prejuízo;
- Foi parcialmente contida no governo Temer;
- Teve lucros temporários no governo Bolsonaro;
- Voltou a pressionar fortemente o caixa.
Não se trata de um problema pontual, mas de uma soma de decisões políticas, mudanças de mercado e falta de modernização estrutural.
A pergunta que permanece é: o Brasil continuará financiando déficits sucessivos ou enfrentará a reforma estrutural necessária?
Jornalista Urias Rocha
Jornalista independente
Membro da ADESG – Escola Superior de Guerra
