domingo, 15 de fevereiro de 2026

Correios à Beira do Colapso? A Verdade Sobre a Dívida Bilionária que Atravessou Governos. Por Urias Rocha

📉 Correios à Beira do Colapso? A Verdade Sobre a Dívida Bilionária que Atravessou Governos

A crise financeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos não nasceu ontem — e tampouco pode ser atribuída a apenas um governo. O rombo bilionário que hoje pressiona a estatal é resultado de uma sucessão de decisões políticas, falhas estruturais e mudanças profundas no mercado postal ao longo das últimas décadas.

Este artigo apresenta um panorama dos governos do PT, de Michel Temer e de Jair Bolsonaro, e explica por que a dívida aumentou tanto, por que não foi quitada e como funciona a amortização atual.


📊 A Origem do Problema: Prejuízos e Passivos no Período do PT

Durante os governos de Dilma Rousseff e posteriormente no novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, os Correios enfrentaram anos consecutivos de prejuízos, especialmente entre 2015 e 2016.

Os fatores principais foram:

  • Queda na demanda por serviços postais tradicionais;
  • Crescimento da concorrência privada no setor logístico;
  • Custos trabalhistas elevados;
  • Aumento de provisões judiciais;
  • Modelo de gestão pouco adaptado à revolução do comércio eletrônico.

Os prejuízos acumulados nesse período corroeram reservas financeiras da empresa e ampliaram seus passivos.


🔄 Governo Michel Temer: Ajuste e Lucro Temporário

Durante o governo de Michel Temer, houve uma reversão momentânea do quadro.

A estatal registrou lucros em 2017 e 2018, resultado de:

  • Corte de despesas;
  • Reorganização administrativa;
  • Redução de custos operacionais.

Entretanto, o lucro não foi suficiente para eliminar os passivos acumulados nos anos anteriores. O problema estrutural permaneceu latente.


📦 Governo Bolsonaro: Lucro na Pandemia e Novo Prejuízo

No governo de Jair Bolsonaro, os Correios apresentaram resultados positivos entre 2019 e 2021, impulsionados pelo aumento das encomendas durante a pandemia.

Contudo, em 2022, a empresa voltou a registrar prejuízo significativo.

As razões incluem:

  • Queda no fluxo internacional de encomendas;
  • Pressão competitiva crescente;
  • Rigidez estrutural de custos;
  • Reconhecimento de passivos trabalhistas e judiciais;
  • Despesas obrigatórias com a universalização do serviço postal.

💰 Afinal, Qual é a Dívida?

É importante esclarecer: os Correios não possuem apenas uma “dívida bancária simples”, como uma empresa privada tradicional. O que existe é um conjunto de passivos que inclui:

  • Déficits operacionais acumulados;
  • Provisões trabalhistas bilionárias;
  • Obrigações judiciais;
  • Empréstimos contratados com garantia da União.

Nos últimos anos, a empresa negociou empréstimos bilionários com prazos longos (até 2040), com garantia do Tesouro Nacional.


📉 Por Que Bolsonaro Não Pagou a Dívida?

A resposta é técnica: porque não havia superávit suficiente para quitar passivos acumulados de anos anteriores.

Mesmo com lucros em parte do período, esses valores foram insuficientes para:

  1. Cobrir integralmente prejuízos passados;
  2. Amortizar passivos trabalhistas;
  3. Quitar dívidas bancárias estruturais;
  4. Investir na modernização necessária.

Além disso, não houve um grande aporte direto do Tesouro para liquidar os passivos históricos.


📆 Como Funciona a Amortização?

Hoje, a amortização ocorre principalmente sobre empréstimos contratados.

Em termos práticos:

  • Parte da receita anual é destinada ao pagamento de juros e parcelas;
  • O cronograma varia conforme os contratos bancários;
  • Como muitos passivos são judiciais ou provisionados, não existe uma “parcela fixa mensal única” divulgada publicamente.

A empresa, portanto, enfrenta um ciclo difícil: receita pressionada, despesas rígidas e necessidade de pagamento de obrigações passadas.


⚠️ O Problema Real

A crise dos Correios não é apenas contábil — é estrutural.

O modelo de empresa pública com obrigação de universalização, somado à concorrência privada nos trechos mais lucrativos, cria um desequilíbrio natural. Enquanto empresas privadas escolhem onde operar com lucro, os Correios são obrigados a atender todo o território nacional, inclusive áreas deficitárias.

Sem reforma profunda, capitalização consistente ou redefinição do modelo de negócio, a tendência é de pressão crescente sobre as contas públicas.


📌 Conclusão

A dívida dos Correios atravessou governos.

  • Cresceu nos anos de prejuízo;
  • Foi parcialmente contida no governo Temer;
  • Teve lucros temporários no governo Bolsonaro;
  • Voltou a pressionar fortemente o caixa.

Não se trata de um problema pontual, mas de uma soma de decisões políticas, mudanças de mercado e falta de modernização estrutural.

A pergunta que permanece é: o Brasil continuará financiando déficits sucessivos ou enfrentará a reforma estrutural necessária?


Jornalista Urias Rocha
Jornalista independente
Membro da ADESG – Escola Superior de Guerra

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