quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

URBANIZAÇÃO


URBANIZAÇÃO

HISTÓRIA DAS CIDADES - EVOLUÇÃO DAS CIDADES

A CIDADE ANTIGA
As primeiras cidades surgiram em função da Revolução Agrícola, que ocorreu, por volta de 3.000 a.C., no Crescente Fértil, região compreendida entre a Mesopotâmia (atual Iraque) e o Egito. Nesse período, as sociedades da área, além de adquirirem condições de alimentar os agricultores, passaram a ter capacidade de abastecer os habitantes das cidades. Estes, agora, podiam se dedicar a atividades propriamente urbanas: comércio e artesanato. Outro fato importante foi que as elites dirigentes se fixaram nas cidades que se tornaram sedes do poder. Implantava-se a divisão de trabalho e funções entre as zonas rurais e as cidades.
As cidades surgiram também na Mesopotâmia (região entre os rios Eufrates e Tigre), destacando-se Ur Babilônia. Para nossos padrões, cidades pequenas; porém, para a época, verdadeiras metrópoles. Com o passar do tempo, outras cidades surgiram, sempre próximas aos rios, já que estes fertilizavam a terra, o que favoreciam o abastecimento das cidades: Pequim e Hang-Chou, na China; Mohenjo-Daro, situada na planície indo-gangética (Índia) e Tebas e Mênfis no Egito. Também na América, nasceriam cidades, principalmente entre os astecas, importante civilização que ocupava o que hoje é o território mexicano.
Na Europa, duas civilizações, a grega e a romana, tiveram nas cidades seus centros de poder, onde estavam a burocracia de estado civil e militar. Na Grécia clássica, a mais sofisticada forma política foi a polis (cidade). De fato, todo o esplendor cultural grego brilhou nas ruas de Atenas. Na Península Itálica, surgiu e evoluiu a mais importante cidade da Antiguidade: Roma, de onde partiram as tropas que edificariam o maior dos impérios, o Império Romano. Realmente, na época "todos os caminhos levavam a Roma". No século XV, quando Roma caiu em função das invasões germânicas, as cidades sofreram um grande abalo, pois a Europa se "ruralizou", ao longo do período feudal.
A CIDADE MEDIEVAL
A Idade Média foi fundamentalmente uma civilização rural.  Por essa razão, as cidades perderam sua importância, Limitavam-se a ser sedes de bispados e reinados, num período no qual os reis praticamente não tinham poder político. Durante o período medieval, não surgiram novas cidades e as antigas se esvaziaram.  As cidades medievais foram, na prática, simplesmente fortificações para proteger igrejas, uma pequena população e alguns castelos. Elas não tinham qualquer função urbana.  Além disso, eram sujas, fétidas e suas casas de madeira eram presas fáceis dos incêndios. Dizia-se que qualquer viajante percebia estar próximo a uma cidade, pelo mau cheiro que ela exalavaSomente o capitalismo mercantil faria ressurgir o fenômeno urbano. 
cidade medieval
A CIDADE RENASCE
Quando do capitalismo mercantil, período da acumulação primitiva de capital, o comerciante se tornou o grande "herói" da história europeia.  E o comerciante morava na cidade.  Progressivamente, os senhores feudais foram permitindo que as cidades ficassem livres, por meio da concessão de "cartas de franquia".  As cidades agora livres receberam diversas denominações, conforme os países onde elas estavam situadas: na Alemanha eram chamadas de  burgos; na França, comunas; por sua vez, na Itália eram denominadas de  repúblicas  e na Península Ibérica   existiam os  concelhos.  A medida que o comércio foi se desenvolvendo, as cidades foram se espalhando por toda a Europa. Importantíssimas foram as cidades comerciais da Itália, principalmente Gênova e Veneza, onde surgiu uma prósperaburguesia comercial e financeira.  Na Alemanha, Hamburgo era o centro de uma rede comercial que chegava até a Rússia, rede esta conhecida pelo nome de Hansa Teutônica ou Liga Hanseática. Na extremidade ocidental da Europa, onde se formou a rota comercial de Champagne,  proliferaram cidadesde grande importância: Paris, Bruxelas, Antuérpia e Amsterdã, dentre outras.
O renascimento urbano, fruto do renascimento comercial, foram sinais de que estava nascendo um novo regime de produção: o capitalismo. O desenvolvimento das cidades, que passaram a ser os motores do progresso, acelerou o êxodo rural: todo mundo queria morar nas cidades para se libertar da dominação feudal.  Um provérbio alemão da época dizia: "o ar da cidade faz o homem livre".  Pouco a pouco, as cidades ficaram superpovoadas.  Na Idade Média, os núcleos urbanos eram cercados por muros; agora, eles começaram a se desenvolver fora dos muros, nascia a especulação imobiliária.  O renascimento urbano teve também um impacto cultural: durante a Idade Média, a Igreja Católica manteve o pensamento e a filosofia no interior dos mosteiros rurais, agora, em razão do aparecimento da burguesia, o clero foi obrigado a ir para as cidades: surgiu as  universidades,  já que os burgueses tinham sede de conhecimentos.
A INDÚSTRIA FAZ DA CIDADE O CENTRO DO MUNDO OCIDENTAL
A Revolução Industrial do século XVIII, que concentrou a mão de obra das atividades fabris nas cidades, foi o grande fator do desenvolvimento urbano.  O capitalismo não criou as cidades, surgidas ainda na Antiguidade, mas as tornou o centro das atividades econômicas e culturais.   Em função do capitalismo, as cidades passaram a ter inúmeras funções: portuárias, comerciais, industriais, militares e político-administrativas.  Em resumo, o capitalismo industrial precisou, pela necessidade de produzir com custos mínimos e concentrar os operários em áreas reduzidas do espaço terrestre, criar as condições para que as cidades se tornassem metrópoles e megalópoles. Leia o texto abaixo com atenção:
"O resultado desse processo - a moderna unidade de produção, a fábrica - é necessariamente um fenômeno urbano.  Ela (a fábrica) exige, em sua proximidade, a presença de um grande número de trabalhadores.  O seu grande volume de produção requer serviços de infraestrutura (transportes, armazenamento de energia, etc.) que constituem o núcleo da moderna economia urbana.  Quando a fábrica não surge já na cidade, é a cidade que se forma em volta dela.  Mas é em ambos os casos uma cidade diferente.  Em contraste com a antiga cidade comercial, que impunha ao campo seu domínio político, para explorá-lo mediante monopólios, a cidade industrial se impões graças à sua superioridade produtiva. A burguesia industrial toma o poder na cidade em nome do liberalismo e varre para fora do cenário histórico a competição das formas arcaicas de exploração.  O capital comercial perde seus privilégios monopolísticos e acaba se subordinando ao capital industrial (SINGER, Paul in "Economia política da urbanização")
A CIDADE,  HOJE
O capitalismo contemporâneo ampliou o fenômeno urbano.  Se antes, havia cidades, atualmente há megalópoles,  onde a conurbação criou uma sofisticada rede de fluxo de capitais, informações, mercadorias e serviços.

FORMAÇÃO DAS CIDADES E A HIERARQUIA URBANA

Os geógrafos definem cidade como "uma concentração de população num aglomerado de casas ou prédios, com ruas pavimentadas, água encanada e esgoto, transportes coletivos e coleta de lixo. A cidade possui fábricas e casas de comércio, serviços em geral e um órgão administrativo chamado Prefeitura"(Prof. Osvaldo Piffer).
FORMAÇÃO DAS CIDADES


Duas são as origens das cidades:
CIDADES NATURAIS OU ESPONTÂNEAS são povoados rururbanos que, progressivamente, desenvolveram-se e se transformaram em cidades. São povoados próximos aos rios e mares ou situados à beira de rodovias, quase sempre em locais de parada obrigatória (presença de restaurantes, postos de gasolina, atrações turísticas, etc.).
Alguns exemplos são: Paris (França), Berlim (Alemanha), Londres (Inglaterra), Xangai (China), Tóquio (Japão) e São Paulo (Brasil).
CIDADES PLANEJADAS OU ARTIFICIAIS são cidades construídas sob encomenda dos governos, nascendo prontas como cidades e, normalmente, destinadas a cumprir a função de sedes de governo (capitais de países). Quando de sua fundação, as cidades planejadas não apresentam os contrastes típicos das cidades naturais. No entanto, com o passar do tempo, o crescimento demográfico, a criação de subúrbios e políticas administrativas descuidadas causam os mesmos problemas sociais e de urbanismo das cidades naturais, fugindo do planejamento inicial.
Alguns exemplos são: Washington (EUA), Brasília, Belo Horizonte, Aracaju, Goiânia, Teresina (Brasil), Islamabad (Paquistão) e Canberra (Austrália).

Osaka
Osaka, Japão
FUNÇÃO URBANA
Em todas as cidades, principalmente nos grandes centros urbanos, inúmeras são as atividades econômicas, políticas, sociais e culturais. Contudo, muitas cidades são cenários de uma atividade principal, que é a função da cidadeEssa pode ser:
- ADMINISTRATIVAS OU POLÍTICAS - sedes de governo (Brasília, Washington).


- CIDADES TURÍSTICAS - onde existem atrações turísticas gerando grande movimento comercial. Exemplos: Roma (Itália), Atenas (Grécia), Ouro Preto (Brasil) e estações de águas termais e de repouso a exemplo de Poços de Caldas (Minas Gerais).
- CIDADES PORTUÁRIAS - centros urbanos cujo grande comércio se deve à presença de portos importantes. Cidades como Hamburgo (Alemanha), Roterdã (Holanda) e Santos (Brasil).
- CIDADES INDUSTRIAIS - dotadas de grandes instalações fabris tais como São Bernardo e Franca (Brasil), Manchester (Inglaterra) e Detroit (EUA).
- CIDADES DE PESQUISA CIENTÍFICA E DE DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA - áreas dedicadas à estudos científicos e suas aplicações tecnológicas. Um bom exemplo são as cidades que fazem parte do Vale do Silício como Palo Alto e Santa Clara.
- CIDADES MILITARES - sede de escolas ou bases militares a exemplo de Norfolk (EUA), Resende (Brasil) e Port Said (Egito).
- CIDADES RELIGIOSAS - centros urbanos que atraem fiéis de alguma religião. Exemplos: Aparecida (São Paulo) e Meca (Arábia Saudita).
- CIDADES CULTURAIS OU UNIVERSITÁRIAS - sedes de importantes universidades como Oxford (Inglaterra).
- CIDADES COMERCIAIS - centros urbanos dotados de grandes lojas comerciais, a exemplo de São Paulo (Brasil) e Nova Iorque (EUA).

O ESPAÇO URBANO
O espaço urbano é a área onde a cidade está localizada e a extensão e tipo de terreno  por ela ocupada.
A principal relação entre a cidade e a paisagem é denominada de situação geográfica.  Em muitas regiões do Brasil, surgiram cidades gêmeas, que nasceram num mesmo período ou, progressivamente, agruparam-se, devido à proximidade física, atividades econômicas semelhantes ou funções administrativas comuns.  As cidades gêmeas dão a impressão para um visitante de que são uma única e mesma realidade urbana, mas, de fato, são duas cidades separadas por ferrovia, rio ou até mesmo por uma rua.  Exemplos de cidade gêmeas: Santos e São Vicente (São Paulo), Petrolina (Pernambuco) e Juazeiro (Bahia) e Livramento (Rio Grande do Sul) e Rivera (Uruguai). 
Os geógrafos dão a denominação de rede urbana ao conjunto de cidades localizadas numa mesma área e que por esse motivo, estabelecem relações de vizinhança e interdependência.  De fato, em toda rede urbana existem cidades de maior ou menor importância ou que desempenham papéis econômicos diferenciados e específicos, gerando uma hierarquia urbana, pela qual as cidades dependem umas das outras.
A HIERARQUIA URBANA
CAPITAL REGIONAL - cidade principal de rede urbana, que é o centro comercial ou industrial de um aglomerado de cidades que vive em função dela.
METRÓPOLES - cidades que, por razões econômicas ou político-administrativos, controlam as relações entre várias regiões urbanas. As metrópoles podem ser nacionais ou regionais.
METRÓPOLE NACIONAL - sede política e administrativa de um país. Exemplos: Paris (França), Lisboa (Portugal), Praga (República Tcheca), Moscou (República da Federação Russa), Brasília (Brasil).
METRÓPOLE REGIONAL - capitais dos estados ou cidades que, pelo seu tamanho e pela sua importância econômica, são o centro urbano de grandes extensões onde estão presentes várias redes urbanas.  Exemplos: São Paulo e Rio de Janeiro (Brasil), Nova Iorque e São Francisco (EUA), Hamburgo e Munique (Alemanha), São Petersburgo (República da Federação Russa).
O FENÔMENO DA CONURBAÇÃO
Quando duas ou mais cidades, em razão de um constante processo de crescimento, acabam se juntando e formando um único conglomerado urbano, ocorre o fenômeno da conurbação, isto é, a junção de duas ou mais realidades urbanas próximas entre si.  Um típico exemplo de conurbação em nosso país é o ajuntamento de cidades como São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e Diadema.  Em Pernambuco, Recife e Olinda são também um modelo de conurbação, sendo, hoje em dia, Olinda uma cidade dormitório, isto é, cidade cuja população reside num núcleo urbano e trabalha numa cidade próxima. 
Nos países desenvolvidos e, também, nos oásis economicamente prósperos das nações subdesenvolvidas, existem áreas repletas de cidades, situadas entre duas grandes metrópoles.  São as megalópolescujos nomespróprios lembram as iniciais das denominações das metrópoles que comandam a região.  Nos Estados Unidos, Boswash, região compreendida entre Boston e Washington, Sansan, entre São  Diego e São Francisco e o Chpitts, as cidades localizadas entre Chicago e Pittsburgh são modelos de megalópoles.

URBANIZAÇÃO NO BRASIL

São Paulo
O Brasil é um país urbanizado. Em 1940, apenas 31% dos brasileiros viviam em cidades, enquanto que 69% viviam no meio rural. Em 1980, a situação havia se invertido: 67,5% viviam em cidades e somente 32,5% na área rural.
O País se urbanizou durante a década de 1970. Durante os anos 1940-2000, a população rural brasileira passou de 28,3 para 31,8 milhões de pessoas (um aumento de 12,4%), enquanto que a população urbana passou de 12,8 milhões para 137,6 milhões: um aumento de 1.006%. Hoje, mesmo a Região Nordeste, que é a menos urbanizada do Brasil, apresenta um alto índice de população urbana: 73,1%.
Na última década, houve um acréscimo de quase 23 milhões de habitantes urbanos. Isso resultou no aumento do grau de urbanização, que passou de 81,2%, em 2000, para 84,3%, em 2010Esse incremento foi causado pelas migrações do campo e pelo crescimento vegetativo nas áreas urbanas.
A região Sudeste é ainda a mais urbanizada do Brasil. Em seguida, estão as regiões Centro-Oeste e Sul. Nas regiões Norte e Nordeste, mais de 25% dos habitantes vivem em áreas rurais.
Rio de Janeiro (96,7%), Distrito Federal (96,6%) e São Paulo (95,9%) são os estados do país com os maiores graus de urbanização. Os estados com os menores graus de urbanização estão localizados nas regiões Nordeste e Norte. Maranhão (63,1%), Piauí (65,8%) e Pará (68,5%) apresentam índices abaixo de 70%.
Histórico da urbanização brasileira
O processo de urbanização no Brasil se iniciou em 1532, com a fundação da Vila de São Vicente, no litoral paulista. A primeira cidade brasileira a ser fundada, em 1549, foi Salvador. No século XVI, havia no Brasil apenas três cidades, todas elas situadas junto ao litoral: Salvador (a capital), Rio de Janeiro e Nossa Senhora das Neves (atual João Pessoa).
O primeiro surto de urbanização ocorreu no século XVIII, devido ao ciclo da mineração. A atividade mineradora resultou na transferência da capital da colônia, de Salvador para o Rio de Janeiro, e causou o deslocamento do eixo produtivo do Nordeste açucareiro para o Sudeste aurífero e promoveu a interiorização do crescimento econômico do país.
Após a chegada da família real ao Brasil, ocorrida em 1808, e, principalmente após o País obter a sua independência, em 1822, houve uma evolução urbana brasileira: devido à lavoura do café, que se expandia, o sudeste brasileiro, principalmente os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, conheceu um rápido crescimento urbano.
1872, data do primeiro recenseamento oficial no Brasil, o Rio de Janeiro, contendo 275 mil habitantes, era a cidade brasileira de mais destaque: era não apenas a capital, mas também o centro comercial e portuário do país. Já a área central de São Paulo se urbanizou devido às atividades ligadas ao café. No início do século XX, com a instalação de indústrias, a cidade de São Paulo se tornou a líder na vida econômica do Brasil.
Segundo dados do IBGE, em 2000, o percentual de população urbana no Brasil elevou-se para 81,2%: 137,6 milhões de pessoas viviam em áreas urbanas. Esta taxa percentual está próxima a dos países desenvolvidos.

Urias Rocha®


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