MINERBRAS: A RIQUEZA MINERAL DEVE VOLTAR AO BRASIL — SOBERANIA NÃO SE PRIVATIZA!
Por Urias Rocha — Jornalista e pré-candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul
O Brasil possui uma das maiores riquezas minerais do planeta. Ferro, nióbio, ouro, manganês, cobre, lítio, terras raras e tantos outros recursos fazem parte de um patrimônio estratégico que não pertence apenas à geração atual: pertence ao povo brasileiro e às futuras gerações.
É exatamente por isso que precisamos discutir, sem medo e sem dogmas, uma nova política mineral para o Brasil.
A MINERBRAS COMO PROJETO DE SOBERANIA
Minha proposta é a criação da MINERBRAS, uma estrutura estatal estratégica destinada a recuperar para o Estado brasileiro o protagonismo na exploração, industrialização e comercialização dos minerais estratégicos nacionais.
Não se trata simplesmente de criar mais uma empresa pública.
Trata-se de estabelecer uma política de soberania econômica.
O minério brasileiro não pode continuar sendo tratado apenas como uma commodity que sai do território nacional em estado bruto ou com baixo valor agregado, enquanto o maior lucro da cadeia produtiva fica concentrado em grandes grupos privados e mercados estrangeiros.
O Brasil precisa fazer o minério brasileiro gerar indústria brasileira, tecnologia brasileira, empregos brasileiros e desenvolvimento brasileiro.
A ERA DAS PRIVATIZAÇÕES
Durante as décadas de 1990 e 2000, o Brasil realizou um amplo processo de desestatização. Um dos símbolos mais importantes desse período foi a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, em 1997.
O próprio BNDES mantém em seu acervo documentação oficial sobre a privatização da Vale e sua inserção no Programa Nacional de Desestatização.
A discussão, portanto, não deveria ser reduzida à velha pergunta: “privatização é boa ou ruim?”
A pergunta mais importante é:
O que aconteceu com o patrimônio estratégico brasileiro depois da privatização?
Quem passou a controlar os ativos?
Quanto de riqueza foi gerado?
Quanto ficou no Brasil?
Quanto foi distribuído aos acionistas?
Quanto valor agregado permaneceu dentro do território nacional?
E, principalmente:
o Brasil ganhou soberania ou perdeu capacidade de decidir sobre seus próprios recursos estratégicos?
Essas perguntas precisam ser respondidas com números, transparência e auditoria pública.
MINÉRIO NÃO É UMA MERCADORIA QUALQUER
Petróleo, minério de ferro, lítio, nióbio, cobre e terras raras não são apenas produtos comerciais.
Eles são insumos fundamentais para energia, indústria, defesa, tecnologia, construção civil, eletrônica, baterias, veículos elétricos e transição energética.
Quem controla recursos estratégicos possui poder econômico e geopolítico.
Por isso, defender uma política mineral soberana não significa fechar o Brasil para o mundo.
Significa negociar com o mundo em posição de força.
O Brasil pode vender para China, Estados Unidos, Europa, Índia, Japão, Coreia do Sul e tantos outros mercados.
Mas precisamos vender riqueza com valor agregado, e não apenas matéria-prima.
O BRASIL PRECISA INDUSTRIALIZAR O PRÓPRIO MINÉRIO
Imagine o seguinte:
Em vez de simplesmente exportar minério de ferro, o Brasil poderia ampliar a produção de aço, máquinas e equipamentos.
Em vez de exportar lítio bruto, poderia desenvolver uma cadeia nacional de baterias.
Em vez de exportar terras raras sem processamento avançado, poderia investir em tecnologia, magnetos, componentes eletrônicos e equipamentos de alto valor.
É aí que está a verdadeira soberania.
O minério é apenas o começo da cadeia.
A riqueza está também na transformação.
E OS JUROS?
Existe outro problema estrutural que precisa ser enfrentado: o custo do dinheiro no Brasil.
A taxa Selic chegou a níveis extremamente elevados. Em junho de 2026, o Copom reduziu a taxa para 14,25% ao ano.
A Selic influencia diretamente diversas outras taxas de juros da economia brasileira.
Um país que deseja industrializar sua economia precisa discutir seriamente o custo do crédito.
Não podemos imaginar uma política industrial agressiva enquanto o empresário brasileiro enfrenta financiamento caro, o pequeno produtor enfrenta crédito caro e o consumidor enfrenta juros ainda mais elevados.
Minha proposta política é defender uma redução estrutural dos juros, com uma política monetária compatível com crescimento, produção, emprego e investimento.
Defendo que o crédito destinado a investimento produtivo estratégico possa ter taxas extremamente baixas, inclusive próximas de zero em programas específicos, desde que existam critérios técnicos, metas de produção, geração de empregos e controle rigoroso para evitar desperdícios.
Dinheiro público deve financiar produção, não especulação.
RESERVAS INTERNACIONAIS: PATRIMÔNIO DO BRASIL
Também precisamos discutir a utilização das reservas internacionais.
É importante esclarecer um ponto: as reservas internacionais brasileiras são administradas pelo Banco Central e não ficam simplesmente “paradas” em um banco estrangeiro. O Banco Central administra esses ativos segundo critérios de segurança, liquidez e rentabilidade.
Em maio de 2026, as reservas somavam US$ 371,1 bilhões.
Portanto, a discussão correta não é simplesmente “tirar o dinheiro do exterior”.
É perguntar:
Como o Brasil pode utilizar sua força cambial para proteger sua soberania, reduzir vulnerabilidades externas e financiar seu desenvolvimento sem comprometer a estabilidade monetária?
Essa é uma discussão séria que precisa ser feita.
UMA NOVA POLÍTICA PARA O BRASIL
Meu projeto parte de alguns princípios:
1. MINERBRAS — criação de uma empresa pública estratégica para atuar na mineração e na industrialização mineral.
2. MINERAIS ESTRATÉGICOS SOB CONTROLE NACIONAL — maior participação do Estado em setores considerados essenciais à soberania.
3. INDUSTRIALIZAÇÃO — prioridade para o processamento dos minerais dentro do Brasil.
4. CRÉDITO PRODUTIVO — financiamento barato para empresas que produzam, inovem e gerem empregos.
5. JUROS MENORES — construção de uma política monetária que permita ao Brasil voltar a investir e crescer.
6. AUDITORIA DAS PRIVATIZAÇÕES — transparência sobre patrimônio, valores, financiamentos públicos, resultados econômicos e impactos estratégicos das grandes desestatizações.
7. SOBERANIA SOBRE RECURSOS NATURAIS — recursos estratégicos devem beneficiar prioritariamente a sociedade brasileira.
8. TECNOLOGIA NACIONAL — transformar recursos minerais em conhecimento, indústria e inovação.
NÃO É CONTRA O INVESTIMENTO PRIVADO
É importante deixar claro:
Defender a soberania mineral brasileira não significa necessariamente expulsar todo investimento privado.
O capital privado pode participar.
Empresas nacionais e estrangeiras podem investir.
Mas o Estado brasileiro precisa estabelecer as regras.
O investidor vem para o Brasil para ganhar dinheiro — e isso é legítimo.
Mas o Brasil também precisa ganhar.
Se o minério é brasileiro, a riqueza gerada por ele precisa produzir desenvolvimento brasileiro.
O BRASIL NÃO PODE SER APENAS UMA GRANDE MINA
Essa é a questão central.
Não quero um Brasil conhecido apenas por exportar soja, minério e petróleo.
Quero um Brasil que transforme soja em indústria de alimentos, minério em tecnologia, petróleo em indústria petroquímica, lítio em baterias e terras raras em produtos tecnológicos.
Um país continental, com recursos naturais extraordinários, não pode aceitar permanentemente a posição de fornecedor de matéria-prima.
Precisamos subir na cadeia produtiva.
Precisamos agregar valor.
Precisamos recuperar nossa capacidade de planejamento.
Precisamos recuperar nossa soberania econômica.
MINERBRAS É SOBERANIA
A criação da MINERBRAS representa, para mim, uma ideia simples:
OS RECURSOS NATURAIS DO BRASIL DEVEM SER UTILIZADOS PARA CONSTRUIR O FUTURO DO BRASIL.
Não se trata de nostalgia.
Não se trata de estatismo cego.
Trata-se de estratégia nacional.
O Brasil possui território, água, energia, agricultura, biodiversidade, minerais e uma enorme capacidade humana.
O que falta é transformar essa riqueza em projeto nacional de desenvolvimento.
Eu sou Urias Rocha, jornalista e pré-candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul.
Defendo um projeto de soberania econômica, recuperação da capacidade estratégica do Estado, industrialização dos nossos recursos naturais e redução estrutural do custo do crédito.
O Brasil não pode continuar exportando riqueza e importando desenvolvimento.
É hora de transformar a riqueza brasileira em prosperidade brasileira.
MINERBRAS: MINÉRIO BRASILEIRO, TECNOLOGIA BRASILEIRA, DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO.
Urias Rocha
Jornalista | Pré-candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul
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