domingo, 9 de agosto de 2026

MINERBRAS: A RIQUEZA MINERAL DEVE VOLTAR AO BRASIL — SOBERANIA NÃO SE PRIVATIZA!

MINERBRAS: A RIQUEZA MINERAL DEVE VOLTAR AO BRASIL — SOBERANIA NÃO SE PRIVATIZA!

Por Urias Rocha — Jornalista e pré-candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul

O Brasil possui uma das maiores riquezas minerais do planeta. Ferro, nióbio, ouro, manganês, cobre, lítio, terras raras e tantos outros recursos fazem parte de um patrimônio estratégico que não pertence apenas à geração atual: pertence ao povo brasileiro e às futuras gerações.

É exatamente por isso que precisamos discutir, sem medo e sem dogmas, uma nova política mineral para o Brasil.

A MINERBRAS COMO PROJETO DE SOBERANIA

Minha proposta é a criação da MINERBRAS, uma estrutura estatal estratégica destinada a recuperar para o Estado brasileiro o protagonismo na exploração, industrialização e comercialização dos minerais estratégicos nacionais.

Não se trata simplesmente de criar mais uma empresa pública.

Trata-se de estabelecer uma política de soberania econômica.

O minério brasileiro não pode continuar sendo tratado apenas como uma commodity que sai do território nacional em estado bruto ou com baixo valor agregado, enquanto o maior lucro da cadeia produtiva fica concentrado em grandes grupos privados e mercados estrangeiros.

O Brasil precisa fazer o minério brasileiro gerar indústria brasileira, tecnologia brasileira, empregos brasileiros e desenvolvimento brasileiro.

A ERA DAS PRIVATIZAÇÕES

Durante as décadas de 1990 e 2000, o Brasil realizou um amplo processo de desestatização. Um dos símbolos mais importantes desse período foi a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, em 1997.

O próprio BNDES mantém em seu acervo documentação oficial sobre a privatização da Vale e sua inserção no Programa Nacional de Desestatização.

A discussão, portanto, não deveria ser reduzida à velha pergunta: “privatização é boa ou ruim?”

A pergunta mais importante é:

O que aconteceu com o patrimônio estratégico brasileiro depois da privatização?

Quem passou a controlar os ativos?

Quanto de riqueza foi gerado?

Quanto ficou no Brasil?

Quanto foi distribuído aos acionistas?

Quanto valor agregado permaneceu dentro do território nacional?

E, principalmente:

o Brasil ganhou soberania ou perdeu capacidade de decidir sobre seus próprios recursos estratégicos?

Essas perguntas precisam ser respondidas com números, transparência e auditoria pública.

MINÉRIO NÃO É UMA MERCADORIA QUALQUER

Petróleo, minério de ferro, lítio, nióbio, cobre e terras raras não são apenas produtos comerciais.

Eles são insumos fundamentais para energia, indústria, defesa, tecnologia, construção civil, eletrônica, baterias, veículos elétricos e transição energética.

Quem controla recursos estratégicos possui poder econômico e geopolítico.

Por isso, defender uma política mineral soberana não significa fechar o Brasil para o mundo.

Significa negociar com o mundo em posição de força.

O Brasil pode vender para China, Estados Unidos, Europa, Índia, Japão, Coreia do Sul e tantos outros mercados.

Mas precisamos vender riqueza com valor agregado, e não apenas matéria-prima.

O BRASIL PRECISA INDUSTRIALIZAR O PRÓPRIO MINÉRIO

Imagine o seguinte:

Em vez de simplesmente exportar minério de ferro, o Brasil poderia ampliar a produção de aço, máquinas e equipamentos.

Em vez de exportar lítio bruto, poderia desenvolver uma cadeia nacional de baterias.

Em vez de exportar terras raras sem processamento avançado, poderia investir em tecnologia, magnetos, componentes eletrônicos e equipamentos de alto valor.

É aí que está a verdadeira soberania.

O minério é apenas o começo da cadeia.

A riqueza está também na transformação.

E OS JUROS?

Existe outro problema estrutural que precisa ser enfrentado: o custo do dinheiro no Brasil.

A taxa Selic chegou a níveis extremamente elevados. Em junho de 2026, o Copom reduziu a taxa para 14,25% ao ano.

A Selic influencia diretamente diversas outras taxas de juros da economia brasileira.

Um país que deseja industrializar sua economia precisa discutir seriamente o custo do crédito.

Não podemos imaginar uma política industrial agressiva enquanto o empresário brasileiro enfrenta financiamento caro, o pequeno produtor enfrenta crédito caro e o consumidor enfrenta juros ainda mais elevados.

Minha proposta política é defender uma redução estrutural dos juros, com uma política monetária compatível com crescimento, produção, emprego e investimento.

Defendo que o crédito destinado a investimento produtivo estratégico possa ter taxas extremamente baixas, inclusive próximas de zero em programas específicos, desde que existam critérios técnicos, metas de produção, geração de empregos e controle rigoroso para evitar desperdícios.

Dinheiro público deve financiar produção, não especulação.

RESERVAS INTERNACIONAIS: PATRIMÔNIO DO BRASIL

Também precisamos discutir a utilização das reservas internacionais.

É importante esclarecer um ponto: as reservas internacionais brasileiras são administradas pelo Banco Central e não ficam simplesmente “paradas” em um banco estrangeiro. O Banco Central administra esses ativos segundo critérios de segurança, liquidez e rentabilidade.

Em maio de 2026, as reservas somavam US$ 371,1 bilhões.

Portanto, a discussão correta não é simplesmente “tirar o dinheiro do exterior”.

É perguntar:

Como o Brasil pode utilizar sua força cambial para proteger sua soberania, reduzir vulnerabilidades externas e financiar seu desenvolvimento sem comprometer a estabilidade monetária?

Essa é uma discussão séria que precisa ser feita.

UMA NOVA POLÍTICA PARA O BRASIL

Meu projeto parte de alguns princípios:

1. MINERBRAS — criação de uma empresa pública estratégica para atuar na mineração e na industrialização mineral.

2. MINERAIS ESTRATÉGICOS SOB CONTROLE NACIONAL — maior participação do Estado em setores considerados essenciais à soberania.

3. INDUSTRIALIZAÇÃO — prioridade para o processamento dos minerais dentro do Brasil.

4. CRÉDITO PRODUTIVO — financiamento barato para empresas que produzam, inovem e gerem empregos.

5. JUROS MENORES — construção de uma política monetária que permita ao Brasil voltar a investir e crescer.

6. AUDITORIA DAS PRIVATIZAÇÕES — transparência sobre patrimônio, valores, financiamentos públicos, resultados econômicos e impactos estratégicos das grandes desestatizações.

7. SOBERANIA SOBRE RECURSOS NATURAIS — recursos estratégicos devem beneficiar prioritariamente a sociedade brasileira.

8. TECNOLOGIA NACIONAL — transformar recursos minerais em conhecimento, indústria e inovação.

NÃO É CONTRA O INVESTIMENTO PRIVADO

É importante deixar claro:

Defender a soberania mineral brasileira não significa necessariamente expulsar todo investimento privado.

O capital privado pode participar.

Empresas nacionais e estrangeiras podem investir.

Mas o Estado brasileiro precisa estabelecer as regras.

O investidor vem para o Brasil para ganhar dinheiro — e isso é legítimo.

Mas o Brasil também precisa ganhar.

Se o minério é brasileiro, a riqueza gerada por ele precisa produzir desenvolvimento brasileiro.

O BRASIL NÃO PODE SER APENAS UMA GRANDE MINA

Essa é a questão central.

Não quero um Brasil conhecido apenas por exportar soja, minério e petróleo.

Quero um Brasil que transforme soja em indústria de alimentos, minério em tecnologia, petróleo em indústria petroquímica, lítio em baterias e terras raras em produtos tecnológicos.

Um país continental, com recursos naturais extraordinários, não pode aceitar permanentemente a posição de fornecedor de matéria-prima.

Precisamos subir na cadeia produtiva.

Precisamos agregar valor.

Precisamos recuperar nossa capacidade de planejamento.

Precisamos recuperar nossa soberania econômica.

MINERBRAS É SOBERANIA

A criação da MINERBRAS representa, para mim, uma ideia simples:

OS RECURSOS NATURAIS DO BRASIL DEVEM SER UTILIZADOS PARA CONSTRUIR O FUTURO DO BRASIL.

Não se trata de nostalgia.

Não se trata de estatismo cego.

Trata-se de estratégia nacional.

O Brasil possui território, água, energia, agricultura, biodiversidade, minerais e uma enorme capacidade humana.

O que falta é transformar essa riqueza em projeto nacional de desenvolvimento.

Eu sou Urias Rocha, jornalista e pré-candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul.

Defendo um projeto de soberania econômica, recuperação da capacidade estratégica do Estado, industrialização dos nossos recursos naturais e redução estrutural do custo do crédito.

O Brasil não pode continuar exportando riqueza e importando desenvolvimento.

É hora de transformar a riqueza brasileira em prosperidade brasileira.

MINERBRAS: MINÉRIO BRASILEIRO, TECNOLOGIA BRASILEIRA, DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO.

Urias Rocha
Jornalista | Pré-candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul

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