O Brasil não nasceu para ajoelhar-se. Nasceu para erguer-se.
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Há algo profundamente triste em assistir representantes da política nacional comportarem-se como súditos diante de potências estrangeiras, como se o destino do povo brasileiro dependesse da aprovação de líderes internacionais. Quando um senador brasileiro se curva em reverência a interesses externos, não humilha apenas a si mesmo; enfraquece simbolicamente a soberania de uma nação inteira que possui uma das maiores riquezas territoriais, minerais, energéticas, agrícolas e culturais do planeta.
O Brasil é uma potência civilizacional. Um país continental, dono de águas abundantes, biodiversidade incomparável, terras férteis, energia, minérios estratégicos e um povo trabalhador capaz de construir uma das sociedades mais prósperas do mundo. Entretanto, ao longo da história, essa grandeza foi condicionada a servir interesses financeiros internacionais que operam acima das fronteiras e dos próprios governos nacionais.
O problema do Brasil nunca foi a ausência de riqueza. O problema sempre foi a transferência contínua dessa riqueza para estruturas econômicas externas, sustentadas por sistemas financeiros globais que impõem dependência, juros abusivos e submissão política. Um país que cobra juros estratosféricos do seu próprio empresário, do agricultor, do trabalhador e da infraestrutura condena sua população ao atraso planejado. Nenhuma nação soberana se desenvolve sufocando sua produção para alimentar rentismos internacionais.
Enquanto países desenvolvidos financiam sua indústria com crédito barato e planejamento nacional, o Brasil continua refém de um modelo econômico que privilegia especuladores e penaliza quem produz. O resultado é um país rico com um povo constantemente empobrecido.
Mas existe algo ainda mais perigoso: a colonização mental.
Quando parte da elite política brasileira acredita que o futuro do Brasil depende de agradar Washington, Moscou, Pequim ou qualquer outro centro de poder internacional, revela-se uma crise profunda de identidade nacional. O Brasil não precisa viver em função de Trump, Putin, Xi Jinping ou qualquer outro líder estrangeiro. O Brasil precisa reencontrar sua própria voz.
Uma nação verdadeiramente soberana não se constrói pela idolatria de líderes externos nem pela submissão ideológica a blocos internacionais. Constrói-se pela valorização do próprio povo, pela defesa dos interesses nacionais e pela capacidade de decidir seu destino sem tutela estrangeira.
Também é necessário compreender que a polarização política transformou-se em uma ferramenta de fragmentação social. O povo brasileiro foi dividido artificialmente em trincheiras emocionais que impedem o debate racional sobre os verdadeiros problemas nacionais: dependência financeira, desindustrialização, desigualdade, exploração econômica e perda de soberania estratégica.
Enquanto brasileiros brigam entre si em guerras ideológicas intermináveis, estruturas econômicas globais continuam operando silenciosamente sobre as riquezas nacionais. O conflito permanente interessa exatamente àqueles que lucram com um Brasil dividido, fraco e emocionalmente manipulado.
O Brasil precisa voltar a pensar como nação. Precisa abandonar a mentalidade colonial que atravessa séculos e compreender sua dimensão histórica. Somos um dos poucos países do mundo com território, recursos naturais, unidade linguística e capacidade produtiva suficientes para exercer protagonismo global independente.
A verdadeira independência não está em trocar um tutor estrangeiro por outro. Está em construir um projeto nacional soberano, capaz de unir o povo acima das disputas fabricadas e colocar o interesse do Brasil acima dos interesses internacionais.
O futuro do Brasil não deve ser decidido em bolsas financeiras estrangeiras, gabinetes internacionais ou alianças ideológicas importadas. Deve nascer da consciência do próprio povo brasileiro sobre sua força, sua dignidade e seu direito histórico à soberania.
Filosófo Urias Rocha - jornalista e ex-professor
Membro da ADESG
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