
A Rússia considerará qualquer cenário de intervenção militar dos EUA na Venezuela como uma agressão contra um Estado independente, assegura o chefe do Comitê Internacional do Conselho da Federação (Senado russo), Konstantin Kosachev.
No entanto, o senador não excluiu a possibilidade de haver provocações de Washington para intervir nos assuntos internos de Caracas.
Ao mesmo tempo, o político russo indicou que antes Washington usou sua influência política sobre outros Estados para reconhecerem o líder da oposição como "presidente legítimo da Venezuela". Isso, indica, foi necessário para que a intervenção, caso aconteceria, fosse formalmente legal.
"Outra questão é que, neste caso, os Estados Unidos terão que desempenhar o papel desagradável de um invasor assumido e um agressor de fato, e não de um instigador e mentor, como tem sido. E é pouco provável que o fato de Guaidó chegar ao poder apoiado nas baionetas americanas, se considerarmos isso pelo menos teoricamente, aumente sua popularidade e legitimidade tanto no país como no mundo", acrescentou.
Portanto, agora o senador acredita que Washington pensará profundamente sobre se deve usar a força. "É muito provável que precise de um pretexto — uma provocação séria, como mais um 'comboio humanitário' na fronteira ou algum tipo de fake-news ao estilo dos 'capacetes brancos' com um alegado uso de armas pelo governo contra civis, etc.", destacou.
"De um jeito ou de outro, é claro que consideraremos qualquer cenário de intervenção militar dos EUA como uma agressão, pois a Venezuela tem apenas um presidente. O que Guaidó agora também reconheceu, confirmando que não pode se apoiar nem no povo, nem no exército", concluiu.
A crise na Venezuela se agravou em 30 de abril, quando o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó apelou a uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".
Segundo o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas da Venezuela continuam completamente fiéis às autoridades legítimas.
Por Urias Rocha Via Sputinik
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